– Cantares do Minho- Fernando de Castro Pires de Lima

CM-FCPL
(Título:Cantares do Minho: cancioneiro popular, Volume 1
Volume 2 de Biblioteca etnográfica e histórica portuguesa
Autor: Fernando de Castro Pires de Lima
Editora: Portucalense editora, 1942 )

Se o mar tivera varandas,
ia-te ver a Lisboa;
mas o mar nãp tem varandas
quem não tem asas não voa…
CM-FCPL (I-15)

O mar pediu a Deus peixe,
e o peixe fundura,
o homem pediu ciência,
e a mulher formosura.

O mar pediu a Deus peixes,
para andar acompanhado.
Quando o mar quer companhia
que fará um desgraçado.

A água clara vai turva,
chega ao mar “enquelarece”.
As mulheres são como a chuva:
aos três dias aborrece.

A cana verde, no mar,
anda de beira em beira.
É como os moços solteiros
a ver se acham quem nos queira.

No meio daquele mato
‘sta uma pombinha branca;
não é pomba, não é nada:
é o mar que se alevanta.

No meio do mar stão rosas,
eu bem lhes vejo os botões;
eu bem vejo caras lindas;
mas não vejo corações.

Eu hei-de ir, e hei de vir,
falas te não hei de dar
hei de fazer te moer
como navio no mar.

Lá vem o barco à vela
lá vem a sardinha boa;
lá vem o meu amorzinho
assentadinho à proa.

Aquele navio novo
jura que me ha de levar!
eu juro que não hei de ir
passar as ondas do mar.

A cana verde no mar…
ver pg.43

No meio daquele mar
tenho uma pedra comprida;
tem um letreiro que diz:
Quem lá for, arrisca a vida.

Ondas do mar, abrandai,
qu’eu qu’ria pilhar um peixe!
eu qu’ria deixar o mundo,
antes que me ele a mim deixe.

Ó mar largo, ó mar largo,
ó mar largo sem ter fundo!
Mais vale andar no mar largo
do que nas bocas do mundo.

As ondas do mar são brancas,
no meio são amarelos!
coitadinho de quem nasce
p’ra se ver no meio delas!

À laranja tira a tona,
tira lhe o que ela tem dentro;
da tona faz um barquinho
e embarca o pensamento.

Canta, canta, cantadeira,
gosto de te ouvir cantar;
também quero que me digas
quantos peixes tem o mar.

Quantos peixes tem o mar?
Não sei, que não fui ao fundo.
Também quero que me digas
quantos olhos tem o mundo.

Debaixo da água se criam
peixinhos que nadam bem;
também me ando a criar
no mundo, não sei p’ra quem.

Fui ao mar caçar um peixe
cacei uma rapariga;
se eu assim caçara sempre,
arranjava a minha vida.

Fui ao mar p’ra ver as ondas,
ao jardim p’ra ver as flores,
ao Céu p’ra ver as estrelas,
aqui p’ra ver meus amores!

Já fui ao mar de joelhos,
de joelhos já fui ao fundo!
por tua causa, menina,
já fui ao cabo do mundo.


Menina, que leva a vida
sentadinha a escrever!
Faça favor de ensinar;
eu também quero aprender…


No meio daquele mar
s’tá uma pombinha verde;
nem é pomba, nem é nada:
é raiz de cana verde.

Tudo o que no mar embarca,
à barra do porto vem;
tudo vem sair à barra,
só o meu amor não vem.

Da minha janela à tua
do meu coração ao teu,
podia andar um barquinho:
o navegador era eu.

Fui ao mar buscar beijinhos
numa bandeja de prata;
Tomar amores não custa,
mas deixá- los é que mata.

Moro à beira do mar,
moro mesmo à beirinha:
da janela do meu quarto
vejo saltar a sardinha.

ó estrelinha do norte
agulha de marear!
Eu com ela me governo,
quando te quero falar.


ó mar que nas ondas levas
um bem que tanto adoro!
se levas fartura de água,
São as lágrimas qu’eu choro.

……..
vol 2

Eu ia por o mar fora
Ouvi cantar, escutei:
Ouvi cantar a serei
Lá no palácio do rei.

0 mar diz que é casado,
o mar diz que tem filhinhos.
É csado coma areia,
os filhos são os peixinhos.

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